controvérsias

"A cada mil lágrimas sai um milagre”

Alice Ruiz

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Uma Menina Sim, ou, Uma Menina Zamzen

(pra vc, Benter)
Era uma vez uma menina sim. Tudo que ela ouvia, tudo que perguntavam; tudo ela entendia, tudo ela dizia sim. Ninguém nunca sabia quando era não, quando era talvez, quando era sim mesmo. Quando ela respondia sim – e ela sempre respondia sim – seus olhos reviravam e não davam a dica necessária para entender se ela entendia, como entendia e que resposta daria. Na expectativa do silêncio após o sim, nada vinha. Uma quietude cheia de sim. Percebia o mundo e a vida assim, dizendo sim.
Mas, seus sins tinham que ter um fim. Assim - só dizendo sim - o único jeito era ver o que acontecia, pra onde ia e o que fazia. Seguindo a menina, viram claro seu jeito amável, ponderado, olhar de lado, um jeito de sempre dizer sim: ela nunca fazia o que dizia que sim, faria. Ah, sim, às vezes, sim, ela fazia o que dizia que sim, ia fazer. Mas ela nunca dizia o que ia fazer, ela só respondia que sim. E todo mundo continuava sem saber o que aquela menina sim queria, quando dizia sim. E num repente, cansada de ser perseguida para saber se seu sim era sim ou não ou talvez, ela decidiu, finalmente, se explicar: “Sim, eu só faço”. A partir daí, todo mundo entendeu a menina sim que nunca se sabia se entendia ou queria ou não queria. Ela só fazia.
A menina sim dizia sim e só fazia o que tava a fim.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

O Natal de Alice

Dingobel, dingobel, não tem mais papel... e todos os dias tem nascimento. Das corruíras, dos gatos, das árvores, da saladinha de tomate. Todos os dias, nasce uma amizade, um amor, uma flor. Todos os dias a família universal cresce. Somos todos primos.
Todos os dias rego, caço, animo, escrevo, rezo. Todos os dias amo meus amores. Todos os dias amo a maresia. Todos os dias levanto querendo ser melhor. Bebendo um vinho, fumando um cigarrinho, que meu critério tá dentro. Todos os dias tem livro no balcão, tem conversa de botequim, tem silêncio sagrado, tem bolo de aniversário.
Tudo que é sagrado está no céu, na terra, no fogo, no ar. Tudo que como é sagrado: carne, bolo, rúcula e beterraba - ui! Todo amor é sagrado. Todo deus e deusa que respeita, deve ser respeitado. Todo amor é pleno. Vivo.
Todos os dias é festa, confraternização, nosso café da tarde.
Saúdo o dia e sou saudada por ele, desejando saúde, fé, coragem, ao universo de todos os seres: ets, seres do passado e do futuro, os seres da transparência, os que sopram no ouvido, toda a natureza, essa, que conhecemos e a quem devemos nossa existência. A natureza, essa, que desconhecemos e que nos inclui.
Todos os dias eu sou eu, eu sou nós, eu dou nós, bato na parede e grito. Porque todos os dias quero viver. Com mais amor, com mais ardor, com mais luz, e o que resume meu grito: sempre amor.
Nenhum dia não é feito para amar, brincar, dar atenção, estar presente, dar presentes.
Nada é mais especial do que todos os dias. De chuva, de sol, de tristeza, de sal, de Teresa, de todos nós.
Nada é mais sagrado do que todos os dias.
(Cristo morreu por nós há quase dois mil anos e até hoje carregamos essa culpa)

domingo, 14 de dezembro de 2008