Querem me transformar em uma formiga mecânica. Gráficos de pizza! Perfeito para uma formiga.
Mas eu sei escrever!, grito esfolada.
E objeto direto dessas tarefas vou ao jardim pautado atrás de vermelhas interrogações e pimentas vírgulas. Tintas, alfabetos, lápis de samambaia.
Encontro só o ponto. E ele está por toda parte. Sufocante. Opressor.
Não tenho chance. Espero a noite para me esconder em meio às crases obscuras.
Roubo todas as pizzas, cujo queijo derretido aparece surpreendentemente em cada entrelinha ambígua e redundante, salpicado de tomate e orégano, enganando as estatísticas fatiadas enquanto toda parafernália sem poética emperra.
Minhas cigarras, não! grito de guerra.
E atiro reticências abrasadoras... Sou a cavaleira solitária a fazer o bem pelo mundo sem ponto e vírgula nem conta de luz. Apenas o queijo de gráficos roubados e uma caneta feita de parênteses.
Não com esses travessões inquietos em uma mente de Quixote sem Sancho Pança. Mas com outras letras que matem a fome de pontuação clara desse povo.
Transformada em matéria, talvez uma palavra possa realizar-se, uma sentença ter a graça de ser cumprida, o parágrafo ter a fama de compreensivo, e o texto - esse ser coletivo - finalmente, possível.
controvérsias
Acredito que se há algum Deus, ele não estaria em nenhum de nós. Não em você ou em mim, mas nesse espaço entre nós. Se há algum tipo de magia no mundo, ela deve estar na tentativa de entender e compartilhar algo com alguém.
Fala da personagem Celine do filme Antes do Amanhecer
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 escreva o que quiser:
Postar um comentário